quarta-feira, 23 de julho de 2014

UFSCar - Inscrições para Vestibular Indígena poderão ser feitas de 26/8 a 6/10





Entre os dias 26 de agosto e 6 de outubro, a UFSCar recebe as inscrições no Processo Seletivo para Candidatos Indígenas 2015, com oferta de uma vaga adicional em cada uma das 61 opções de curso de graduação presenciais da Universidade, distribuídas entre os campi Araras, São Carlos, Sorocaba e Lagoa do Sino, em Buri.

No link abaixo há informações sobre o período de inscrição e outras informações importantes:



DIVULGAÇÃO: Coordenadoria de Ações Afirmativas e Outras Políticas de Equidade - CAAPE - UFSCar/Prograd



segunda-feira, 7 de julho de 2014

REUNIÃO DO COMITÊ REGIONAL - CORLIS


Foi realizada a reunião do Comitê Regional da Coordenação Regional do Litoral Sudeste, na sede da CORLIS em Itanhaém - SP, na data de 27 de junho de 2014. 

Inicialmente foram apresentados os projetos em andamento na CORLIS, relativos ao Etnodesenvolvimento, Proteção Ambiental e Territorial, Promoção à Cidadania, dentre outras temáticas.
Após as apresentações e informes, Eduardo, Chefe de Divisão da CORLIS, apresentou alguns itens do Decreto nº 7.778 de 27 de julho de 2012, que institui os Comitês Regionais para cada Coordenação Regional. Estes Comitês terão caráter deliberativo e serão compostos por representantes indígenas, representantes da FUNAI e de outros órgãos da administração pública federal. 


Outro documento discutido foi o Regimento Interno da Fundação Nacional do Índio, normatizado pela Portaria 1.733/2012, que trata do funcionamento dos Comitês. Foi destacado o item que discorre sobre o mandato dos membros, que será de dois anos, prorrogável por igual período. Serão no máximo 30 membros, com paridade entre os representantes dos órgãos públicos federais e indígenas. 



Serão realizadas no mínimo duas reuniões ordinárias anuais, podendo ainda se realizar outras reuniões extraordinárias se necessário. Sobre as competências do Comitê foram citadas as seguintes ações: colaborar na formulação de políticas públicas, propor ações de articulação com outros órgãos, colaborar no planejamento anual para a região e apreciar relatório e prestação de contas da Coordenação. Outros temas mais específicos poderão ser inseridos de acordo com a demanda.
Foram selecionadas 10 núcleos de representatividade no estado de SP, sendo um por Coordenação Técnica Local, além de três divisões decididas pelas comunidades. Nesta reunião seriam selecionados o titular e suplente para a CTL de Itanhaém. 
A reunião foi interrompida para que os indígenas decidissem os seus representantes, sem a presença dos servidores da FUNAI.
Ao retornar procedemos à indicação dos membros escolhidos pelos indígenas. 



Inicialmente, o cacique Ubiratã, Dora e outras lideranças, questionaram sobre transporte e alimentação nas próximas reuniões. Foi explicado que haverá um planejamento da CORLIS para realizar o apoio logístico necessário. Discutiu-se ainda sobre a agenda e a necessidade de uma comunicação prévia às comunidades, para levantamento das pautas locais. 
Procedeu-se então à escolha oficial dos representantes indígenas, sendo os indicados: Alcides Mariano Gomes e Ubiratã Jorge de Sousa Gomes, que foram mantidos como titular e suplente da CTL Itanhaém, , respectivamente, como já havia sido decidido anteriormente na primeira reunião do Comitê Regional.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Garoto indígena faz protesto durante a cerimônia de abertura da Copa do Mundo




por Piero Locatelli — publicado 13/06/2014 14:26, última modificação 13/06/2014 18:06

Luiz Pires/Comissão Guarani Yvyrupa


Uma criança branca, uma negra e um índio com um cocar entraram juntos na abertura da Copa do Mundo nesta quinta-feira 12. As imagens da televisão mostraram as crianças soltando uma pomba branca minutos antes do início da partida entre Brasil e Croácia. As emissoras omitiram, porém, a imagem do indígena abrindo logo em seguida uma faixa onde estava escrito “demarcação”.

A faixa do jovem de 13 anos lembrava a demora do governo federal para demarcar novas terras indígenas no Brasil. O garoto vive na aldeia Krukutu, na região de Parelheiros, no extremo sul da cidade de São Paulo. No local, os índios moram em situação precária enquanto aguardam a assinatura da demarcação pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para que possam ter acesso a uma terra maior. Em uma terra maior, dizem os índios, poderiam retomar seu modo de vida tradicional.

O ato foi pensado há cerca de um mês, quando os organizadores da Copa buscaram os guaranis da cidade para convidá-los a fazer parte da abertura. O convite chegou em meio a uma campanha realizada em todo o Brasil pela demarcação de terras, e os indígenas resolveram aproveitar a oportunidade para mostrarem sua reivindicação.

“Naquele momento, aceitamos o convite e começamos a pensar em fazer alguma coisa na abertura. Nós organizamos que alguém iria entrar com uma faixa escondida, aí falamos para ele: ‘abre a faixa lá e seja o que Deus quiser’ ”, diz Fabio Jekupé, liderança da aldeia indígena.

Fábio conta não ter ficado surpreso com a omissão do ato na televisão. “Eles não querem mostrar isso, querem mostrar só a paz entre os povos para dizer que está tudo bem e está tudo legal, mas a situação aqui não é essa” diz, referindo-se a entrada das três crianças juntas passando uma ideia de paz.

Em meio a uma campanha pela demarcação de terras em todo país, os guaranis dizem que não são contra a Copa. Segundo David Karai, morador da aldeia do Jaraguá em São Paulo, os indígenas não participaram dos atos contra o mundial, mas dizem que o evento foi uma oportunidade para mostrar ao mundo a situação em que vivem. “Os guaranis estão vendo a copa, todos os jogos. Por isso mesmo nós temos que ir pra rua e mostrar que nós estamos vivos, para nós sermos lembrados”.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Divulgação de evento "Encontros sobre Leitura e Escrita em Sociedades Indígenas"


"O evento "Encontros sobre Leitura e Escrita em Sociedades Indígenas" acontecerá em Manaus na sua 10ª Edição, de 21 a 23 de Outubro, conforme http://x-elesi.webnode.com, site que está no ar, organizado pela UFAM/UEA e várias outras entidades de Manaus.

Por ser uma das idealizadoras, consto como palestrante na abertura deste evento. Ele se configura como o único evento de caráter nacional e periódico a discutir a questão da Educação Indígena no país e acontece desde 1995, tendo como resultado 4 livros que são referência na discussão da questão de educação indígena, um deles publicado pela FUNAI: Questões de Educação Escolar Indígena: da formação do professor ao projeto de escola, está disponível na internet em pdf, sendo portanto de domínio público.

Considero que neste momento, mais do que nunca a questão da educação indígena deve ser discutida pelos próprios indígenas: para onde querem conduzir as futuras gerações, que espaço querem ocupar na sociedade brasileira do século XXI.

Juracilda Veiga"

segunda-feira, 2 de junho de 2014

No ar o site Nhandewa : trabalhando com tradução

 

Aconteceu nos dias 28 a 31 de maio de 2014, na Escola da Aldeia Nimuendajú (Avaí, SP) a 5a Oficina do Projeto de Gramática Pedagógica e site Nhandewa. Essas Oficinas fazem parte de uma série de ações voltadas ao fortalecimento da língua indígena. O Projeto é coordenado pelo linguista Wilmar D'Angelis, líder do Grupo de Pesquisa InDIOMAS/Unicamp. Esse grupo de pesquisa (apoiado pela Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários, da Unicamp) em pareceria com a FUNAI e a ONG KAMURI estão realizando esse trabalho na aldeia Nimuendaju desde Agosto de 2013. A cada oficina verifica-se o progresso dos professores e dos seus alunos indígenas no domínio da língua Nhandewa.



Essa oficina foi centrada nos problemas de tradução, favorecendo a abordagem constrastiva das gramáticas do Nhandewa e do Português, destacando questões culturais envolvidas na transposição de textos de uma língua para outra, e oportunizando a pesquisa lexical, como forma de ampliação do domínio dos recursos linguísticos próprios da língua ancestral da comunidade indígena.




O prof. Wilmar D’Angelis explicou aos Nhandewa que, ao trabalhar com tradução, devem ter em conta que:
1. As línguas não são organizadas da mesma maneira;
2. As palavras nem sempre se equivalem, de uma língua para outra.
3. É preciso conhecer a cultura na qual o texto foi produzido, e a cultura da língua para a qual o texto será traduzido; entender a questão das expressões idiomáticas de cada língua.
 




Os professores indígenas trabalharam sobre vocabulários específicos sobre Armadilhas e Armas Nhandewa, e sobre Alimentação e seu Preparo.
Parte do aprendizado das crianças está amparado no canto, liderado pelo professor Cledir Alves Marcolino.


Com apoio da Universidade Sagrado Coração –USC Bauru, no sábado foi recolocado no ar o site www.nhandewa.org e alimentado com fotos e textos.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Cacique formado na USP sonha com mestrado para ser referência

 Notícia publicada no site http://g1.globo.com/, em 19/05/2014. Por Mariane Rossi Do G1 Santos.
 
Um de seus objetivos é criar um vestibular específico para os indígenas.
Ubiratã Awá Baretédju, de 37 anos, mora em aldeia de Peruíbe, SP.

     

    Cacique Ubiratã, em Peruíbe, SP (Foto: Ubiratã Gomes Awá M´Baretédjú/Arquivo Pessoal)

Um cacique formado em Pedagogia pela Universidade de São Paulo (USP) quer se tornar um mestrando em Antropologia. Morador de Peruíbe, ele já é responsável pelas aldeias do litoral paulista e quer ser referência em educação no País. Um de seus objetivos é criar um vestibular específico para os indígenas.

Ubiratã Gomes Awá M´Baretédjú, de 37 anos, nasceu e foi criado na aldeia Bananal, em meio à Mata Atlântica e a cerca de 15 quilômetros do Centro de Peruíbe. A aldeia, uma das mais antigas da região, com cerca de 300 anos de existência, abriga aproximadamente 13 famílias. Os índios coletam frutos, produzem sucos para consumo próprio, fazem o reflorestamento por meio de sementes e preparam mudas para o comércio. Na aldeia, as tradições indígenas dos tupis-guaranis também permanecem intocáveis. Apesar de já terem acesso à internet, à energia elétrica e outras tecnologias, perpetuam características de seus antepassados. Vivem da caça, da pesca, da confecção e venda de artesanato e de apresentações culturais.




Cacique Ubiratã, em Peruíbe, SP (Foto: Ubiratã
Gomes Awá M´Baretédjú/Arquivo Pessoal)

A educação é a base para que as crianças indígenas e as próximas gerações possam eternizar os costumes e crenças de seu povo. “Na realidade, a educação indígena é aquela que nós aprendemos com os nossos antepassados, mas a educação escolar indígena é aquela que temos dentro das escolas”, fala o cacique. Por isso, as escolas indígenas foram montadas dentro das aldeias da Baixada Santista. Segundo o cacique, elas estão distribuídas nas cidades de
São Vicente,Praia Grande, Mongaguá e Peruíbe.

O ensino é diferenciado porque une as tradições indígenas com as disciplinas convencionais, encontradas em qualquer escola dos centros urbanos. “Antes, a educação era voltada à integração nacional e falava-se que o indígena não fazia parte da sociedade. Não podíamos fazer manifestações culturais, tirar dúvidas nas escolas. A própria educação era administrada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) na década de 1980. Em 1996, com algumas leis, o cuidado em relação às escolas indígenas passou para o Ministério da Educação (MEC). Essa lei nos beneficiou muito”, diz ele. Com as escolas indígenas, eles também têm mais autonomia para criar projetos político-pedagógicos, materiais didáticos e dinâmicas em grupo. Nas escolas, há desde o ensino infantil até nono ano. “Eu tenho aluno que, com quatro anos, já está lendo. As nossas escolas indígenas teriam que ser mais divulgadas”, explica.


 

Cacique após se formar em Pedagogia na USP (Foto: Ubiratã Gomes Awá M´Baretédjú/Arquivo Pessoal)
 
O cacique e outros índios receberam capacitação para atuar nesses centros especializados de ensino. Entre 2006 e 2008, eles fizeram o Curso Superior Indígena de Pedagogia na USP. As aulas eram ministradas no campus da faculdade uma vez por semana e também aconteciam na prática, dentro das aldeias. “Nós recebemos a formação em serviço, que foi melhor aproveitada. Quando se faz uma pedagogia formal, você adquire muitas teorias. No nosso caso, ficávamos uma semana em São Paulo e depois voltávamos para as nossas escolas, nossas aldeias, e aplicávamos lá”, conta o cacique. Após se formarem, eles começaram a atuar nas escolas indígenas de maneira efetiva, com material oferecido pelo Estado e pelo Governo Federal. Mas, segundo o cacique, os livros e líderes que falam sobre a cultura indígena já estão defasados. De acordo com ele, o discurso é sempre sob a visão do não indígena, o que prejudica a imagem das comunidades.
 


Ubiratã durante palestra em encontro (Foto:
Ubiratã Gomes Awá M´Baretédjú/Arquivo Pessoal)

Por isso, o cacique quer ter mais conhecimento e ser referência no ensino dos indígenas. Formado em Pedagogia, agora ele busca um mestrado. No ano passado, ele passou por várias fases do processo seletivo, mas, na última, foi barrado pela banca avaliadora. Segundo ele, o motivo dado pelos professores foi a falta de referências bibliográficas no projeto apresentado, mas ele acredita que houve outros problemas. “Três aprovaram e um não. Foi frustração mesmo. Eu creio que tenha sido preconceito, porque os argumentos foram muito vazios. Pretendo não desistir nunca, ainda mais sendo brasileiro nato como eu. Sei que tenho capacidade para isso. Também sei que vai ser difícil, sendo indígena ou não”, diz.

O cacique ficou decepcionado com o resultado e decidiu não tentar o processo seletivo para o mestrado neste ano. No entanto, ele não parou os estudos e a produção de cultura, abriu uma produtora e está fazendo documentários dentro da aldeia sobre o mundo indígena. Ele e a esposa são responsáveis pela gravação, produção e edição de todo o material. Além disso, o cacique continua participando de projetos dentro da USP, principalmente os ligados à Antropologia, sempre em prol da educação da comunidade indígena no Brasil. "Quero criar um vestibular especifico para indígenas. A educação indígena hoje é uma grande referência. Junto às lideranças, estamos procurando formar cidadãos, com uma cultura que se fortalece a cada dia”, conclui.































segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Revitalização Linguística nas Comunidades Indígenas de São Paulo


Neste ano de 2013, a FUNAI Regional Sudeste em parceria com a ONG Kamuri e a Universidade de Campinas através do Projeto Web indígena , deu um importante passo na questão da revitalização linguística de dois importantes povos que vivem no Estado de São Paulo: Os Nhandewa Guarani, também chamados Tupi-Guarani e os Kaingang Paulistas.
Com os Nhandewa da Aldeia Nimuendajú e por solicitação dessa comunidade foram realizadas duas Oficinas uma em Agosto sobre fundamentos da gramática da língua Guarani e a segunda em outubro sobre normalização ortográfica, retomando e revisando a Convenção Ortográfica das aldeias Nhandewa Guarani realizadas no ano 2000. E numa terceira Oficina em Dezembro foi destinada a construção de um site em língua Nhandewa, como forma de dinamizar a produção em língua guarani e a troca entre as comunidades. Você pode acessar esse site através do endereço www.nhandewa.org
Esse projeto que terá continuidade pelos próximos dois anos tem por objetivo: Produzir um material didático para ensino da língua, na forma de uma Gramática Pedagógica, e um site em língua Nhandewa (ou Tupi-Guarani). A língua Nhandewá, falada pelos grupos do Norte do Paraná (Laranjinha e Pinhalzinho), e pelas Aldeias Nimuendaju (T.I. Araribá,SP), Piaçaguera, T.I. Itariri, Djakoaty, Itaoca-Tupi, Ribeirão Silveira, Bananal (SP), corre risco de extinção e os Guarani tem feito um esforço para a sua continuidade há mais de 10 anos. Essas oficinas se inserem portanto, dentro da proposta de valorização e fortalecimento das línguas indígenas como patrimônio cultural e como esforço dos próprios guarani.

Kaingang paulistas retomam contato com os Kaingang do Sul do Brasil
Os Kaingang no Estado de São Paulo vivem nas aldeias de Icatu (Braúna, SP), e Vanuíre (Arco-Íris - SP). Seu dialeto é um pouco diferente dos outros 5 dialetos Kaingang falados no sul do Brasil, mas são mutuamente inteligíveis. Por razões históricas os Kaingang paulistas ficaram afastados dos seus irmãos do sul, e são em pequeno número. Os kaingang Paulistas estão fazendo um esforço para se unir aos demais que já possuem um site, o primeiro totalmente em língua indígena: www.kanhgag.org com esse trabalho podem entender a escrita dos demais e também trocar textos com os demais kaingang que estão construindo uma enciclopédia em sua língua.
O objetivo dessas oficinas é construir com os Kaingang das aldeias de Icatu (Braúna, SP), e Vanuíre (Arco-Íris - SP) um dicionário escolar do Kaingang Paulista. Para tanto os Kaingang, que em sua maioria são falantes do Kaingang como segunda língua, contarão com assessoria linguística e antropológica especializada para dominar a grafia e leitura da língua Kaingang escrita, dando continuidade aos trabalhos iniciados com a Convenção Linguística realizada em 2000.
Depois de um primeiro contato entre os Kaingang Paulistas com os do Rio Grande do Sul e Paraná no I Simpósio Internacional da língua Kaingang (ISKL – I) UNICAMP -Agosto de 2012, agora os Kaingang paulista preparam uma excursão a T.I. Apucaraninha (Tamarana, PR) para troca de conhecimentos e experiência de imersão linguística, aproveitando os recursos do prêmio cultura indígena do Minc, com o qual foram contemplados esse ano. 

Juracilda Veiga